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Macaco prego de peito amarelo

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Macaco na beira do lago

O termo macaco-prego é, atualmente, a designação genérica das espécies do gênero Sapajus (espécies com topete do antigo gênero Cebus). Antes consideradas como subespécies de Cebus apella são, hoje, consideradas espécies distintas. As espécies remanescentes do gênero Cebus são comumente tratadas como macacos-prego no sul e sudeste do Brasil, mas na sua área de ocorrência elas tem o nome comum de caiarara.

A taxonomia dos popularmente conhecidos macaco-prego sempre passou por modificações constantes. Ela passou por uma série de modificações em curto espaço de tempo até a classificação de Hill (1960), que colocou todos o táxons em uma única espécie: Cebus apella. A partir da classificação de Groves (2001), as diversas subespécies de C. apella foram elevadas ao status de espécie. Em 2012, Alfaro Lynch e colaboradores dividiram o gênero Cebus em dois, levando-se em consideração caracteres morfológicos e comportamentais, mantendo o gênero Cebus para os que possuem forma "grácil" e habitam o bioma Amazônico e o gênero Sapajus para os que possuem forma mais "robusta" e habitam as áreas de Floresta Atlântica, Cerrado e Caatinga. Esse dois tipos também foram identificados por Silva Jr (2001). Dados moleculares também sustentam a essa divisão, onde os "macacos-prego robustos" formam um clado e os "macacos-pregos gráceis" formam outro.

Estas duas formas evoluíram a partir do Mioceno (aproximadamente há 6,2 milhões de anos), quando um grupo ancestral ficou isolado na Amazônia e outro na Floresta Atlântica. No Pleistoceno, ambas as formas se diversificaram, sendo que a cerca de 400.000 anos atrás, o gênero Sapajus foi para regiões do Cerrado e bacia Amazônica.

A especies:

Sapajus apella

Sapajus libidinosus

Sapajus nigritus

Sapajus cay

Sapajus robustus

Sapajus xanthosternos

Sapajus flavius

Sapajus macrocephalus

A área de ocorrência das espécies do gênero vai desde a bacia Amazônica, passando por todo o Brasil Central, até a região sul do Brasil, ocorrendo também no Paraguai e nordeste da Argentina.

O "topete", a forma mais atarracada e mandíbula mais robusta são características do gênero Sapajus.

Chama a atenção a presença de um "topete" na cabeça dos animais, mais proeminente nos machos.

Os representantes do gênero possuem características cranianas e dentárias mais robustas, que ficam evidentes nos machos, com o aparecimento de uma crista sagital no topo do crânio o que torna o dimorfismo sexual no gênero Sapajus mais pronunciado do que se observa no gênero Cebus. foi constatado também, um aumento na massa corpórea nos indivíduos do gênero, não acompanhado por um crescimento acelerado dos membros, o que acaba resultando em um aspecto mais atarracado[5]. Possuem maior robustez na mandíbula e em elementos do esqueleto pós-craniano, notadamente nos membros. Tais características, principalmente a crista sagital (propiciando uma maior área de origem do músculo temporal e funcionalmente mais força), estão relacionadas a durofagia, ou seja, à mastigação e forrageio de alimentos mais duros.

O comportamento dos Cebíneos (subfamília em que se encontram os gêneros Cebus e Sapajus) é extremamente plástico, o que pode dificultar a observação de comportamentos típicos para determinado gênero. Dentre os comportamentos observados, o uso de ferramentas (nesse caso, definido como a utilização de pedras na quebra de cocos e outros alimentos mais duros) é um dos mais fascinantes e unicamente observados no gênero Sapajus em liberdade e semi-liberdade. É importante salientar que tal padrão de comportamento foi observado em animais que vivem em ambientes mais savânicos e secos e isso não foi observado em florestas úmidas. Tal atividade parece estar relacionado ao tempo em que os animais passam no solo.

Tal capacidade já foi observada há tempos, por González Fernández de Oviedo em 1526, assim como sua inteligência faz parte da cultura popular.

Os representantes desse gênero também possui um dos maiores repertórios de comportamentos de corte e sexual. Chama bastante a atenção a forma ativa em que as fêmeas procuram o macho alfa quando se encontra no cio, e é mais surpreendente ainda, como esse macho é incialmente relutante as investidas das fêmeas. Dentre os comportamentos observados na corte, foram registrados também: troca de olhares entre macho e fêmea, múltiplas montas, ocorrendo também monta por parte da fêmea no macho, e exibições pós-copulatórias. É notável que tais comportamentos não sejam observados nos representantes do gênero Cebus . Izar e colaboradores (2011) observaram que S. nigritus (um macaco da Floresta Atlântica) e S. libidinosus (um macaco típico do Cerrado) apresentam o mesmo sistema de acasalamento poligínico, apesar de várias diferenças ecológicas propiciadas pelos dois ambientes em questão, reforçando a hipótese de que o comportamento sexual no Sapajus constitui uma característica conservada nas espécies e, portanto pode ser usada para definir o gênero.

As espécies do gênero são altamente adaptáveis, sendo encontradas desde ambientes com florestas densas, até ambientes bastante antropizados. Mas, vale dizer que em ambientes muito modificados pelo homem, a ecologia (território e dieta, principalmente) pode ser drasticamente afetada, resultando, inclusive, em superpopulações, consequentes da diminuição da extensão do hábitat (aumentando a densidade no fragmento), concomitante com a extinção de seus predadores naturais (o que aumenta o crescimento populacional propriamente dito).

Os macaco-pregos possuem uma anatomia adaptada à durofagia (alimentos duros, como coquinhos e nozes). Tal capacidade conferiu a eles uma enorme adaptabilidade, e inclusive a capacidade de se sobressair sobre as espécies do gênero Cebus, como é observado na Floresta Amazônica. Estudos feitos no sudeste do Brasil, em uma fragmento de 250ha, mostraram a enorme capacidade de adaptação desses animais às variações na disponibilidade e qualidade dos alimentos que compões sua dieta: esta se compõe de mais de 50% de frutas, entretanto, quando sua disponibilidade diminui, eles passam a predar sementes, flores, e se em ambientes mais antropizados, ele invade plantações [15]. Por conta de sua habilidade em se alimentar de qualquer tipo de alimento, eles podem existir em ambientes mais "inóspitos" a outros cebídeos, como é o caso da Caatinga e do Cerrado. A espécie Sapajus libidinosus é típica do cerrado e é uma das que mais utiliza alimentos duros e difíceis de digerir em sua dieta.

Os territórios dependem da disponibilidade e distribuição de comida no ambiente, sendo que existe uma correlação positiva entre o número de fêmeas e o tamanho do território em que está inserido o grupo. Como mostrado por Izar e colaboradores (2011), o risco de predação, a disponibilidade e qualidade de alimento é de suma importância na determinação da relação entre as fêmeas de um mesmo grupo. S. libidinosus possui um sistema matrifocal, com hierarquia de dominância entre as fêmeas, visto, no ambiente em que vivem (Caatinga e Cerrado), existir um maior risco de predação, mas alimentos de boa qualidade durante o ano todo. Já S. nigritus, no Parque Estadual Carlos Botelho (área de Mata Atlântica), estão expostos a um menor risco de predação, mas uma maior sazonalidade nos alimentos de boa qualidade, tornando as fêmeas menos competitivas entre si, não existindo coalizões entre elas dentro do grupo.

Existem relatos de que são capturados por tipo de gavião chamado gavião-pega-macaco ou uiraçu-falso (Morphnus guianensis). Outros tipos de predadores são: cobras da família da jiboia, águias como a harpia e alguns felinos de porte maior que ele.

Ocorre uma vez ao ano, com uma única cria (gêmeos são raros), cujo período de gestação é de cerca de seis meses. Os adultos pesam entre 1,1 kg e 3,3 kg, enquanto que os filhotes têm peso de cerca de 260 gramas.

O grau de ameaça de extinção das espécies do gênero varia bastante. De acordo com a IUCN, S. libidinosus,S. cay, S. apella, S.macrocephalus encontram-se em estado "Pouco Preocupante", principalmente por possuírem uma ampla área de distribuição geográfica e serem espécies generalistas e altamente adaptáveis, mas reconhece-se a possibilidade de em um futuro próximo (cerca de 45 anos) eles estiverem em um grau maior de ameaça. Sapajus nigritus encontra-se na categoria "Quase Ameaçado" da IUCN, e S. flavius e S. xanthoternos são os mais ameaçados ("Criticamente em Perigo"), pois S. flavius está reduzido a cerca de 180 indivíduos, com grupos isolados entre si (devido ao intenso desmatamento que ocorreu em sua área de distribuição) e S. xanthosternos também só ocorre em pequenas áreas protegidas e provavelmente suas populações diminuirão cerca de 80% em três gerações.




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